sexta-feira, 23 de setembro de 2016

CONVERSA COM MARIA

14/1/85


Não
Não quis falar à Maria
O que eu tinha para viver

A ela eu nego o que digo
E não digo o que quero
Nem ligo

Saí a cavalo para o combate
Que me esperava nas ruas
E dei de cara com as tuas pernas nuas

Num instante  eu me esqueço
Isso não tem começo
Só fim

Já foi o tempo do meu encanto
E num canto penso lento
A hora da nossa morte
Alma e corpo num alento
Divagam
Mas não tanto
Que eu já não tento

Diz da vida quem não vive
-       A vida é curta

Curte a vida e velho fica

E vê o que te vivifica

E no meu corpo já não tenho marcas
Que não sejam cortadas por outras cicatrizes
Que o ferir humano é sempre o mesmo sofrer

Mas não ligo

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